Gaeco investiga contratos firmados durante gestão de Fabrício Oliveira em Balneário Camboriú

Investigação apura suposto esquema de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro; empresa venceu 30 licitações no município desde 2012

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e o Grupo Especial Anticorrupção (GEAC) deflagraram, nesta terça-feira, a Operação Gaiola Digital, que investiga uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar licitações, praticar corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a Administração Pública em municípios catarinenses.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a investigação aponta que o grupo atuava para direcionar licitações destinadas à contratação de sistemas informatizados de gestão pública, por meio da influência na elaboração de editais, da inclusão de cláusulas que restringiriam a concorrência e do pagamento de vantagens indevidas para garantir contratos públicos.

Balneário Camboriú está entre os alvos da investigação

Em Balneário Camboriú, a investigação concentra-se em contratos firmados durante a gestão do ex-prefeito Fabrício Oliveira. Conforme levantamento do MPSC, a empresa Pública Tecnologia participou de 30 processos licitatórios no município desde 2012 e venceu todos. Os contratos somam aproximadamente R$ 10,7 milhões em valores empenhados até 2025.

Até o momento, o ex-prefeito Fabrício Oliveira não havia se manifestado publicamente sobre a operação nem sobre os fatos investigados.

Indícios de lavagem de dinheiro

De acordo com o Gaeco, foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de saques fracionados e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade empresarial da empresa investigada.

Segundo o Ministério Público, somente no período analisado — entre 2022 e 2024 — foram registradas centenas de operações bancárias que movimentaram milhões de reais e que podem ter servido para abastecer um caixa clandestino destinado ao pagamento de propinas.

Áudio cita “8% de Balneário”

Entre os elementos reunidos durante a investigação está um áudio em que um representante comercial da empresa investigada faz referência aos chamados “8% de Balneário”.

Ainda conforme o MPSC, há indícios de que a empresa tenha colaborado diretamente na elaboração de termos de referência, editais e documentos técnicos utilizados pela administração pública, o que poderia comprometer a competitividade dos processos licitatórios.

Mandados em sete municípios

Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), nos municípios de:

  • Blumenau (sede da empresa investigada);
  • Balneário Camboriú;
  • Penha;
  • Rio do Sul;
  • Lages;
  • Canoinhas;
  • Irani.

As diligências têm como objetivo apreender documentos, equipamentos eletrônicos, registros digitais e demais elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.

Como funcionaria o esquema

Segundo o Ministério Público, o suposto esquema consistia na aproximação prévia de agentes públicos responsáveis pelos processos licitatórios. A investigação aponta que editais teriam sido elaborados com critérios técnicos direcionados para favorecer uma empresa previamente escolhida, além do pagamento de vantagens indevidas para obtenção, renovação e manutenção dos contratos.

Origem do nome da operação

O nome “Gaiola Digital” faz referência, segundo o MPSC, ao ambiente tecnológico utilizado para, supostamente, restringir a livre concorrência em licitações destinadas à contratação de sistemas informatizados para a administração pública.

A investigação tramita sob sigilo. Conforme o Ministério Público, novas informações poderão ser divulgadas à medida que os autos forem tornados públicos.

Posicionamento

O JM Litoral mantém espaço aberto para manifestação do ex-prefeito Fabrício Oliveira, da empresa Pública Tecnologia e dos demais citados na investigação. Eventuais posicionamentos serão publicados assim que encaminhados à redação.

 

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