Na manhã desta quinta-feira (15/01), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do CyberGAECO, em investigação realizada em conjunto com a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Chapecó, deflagrou a Operação Blind Eye para o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão nos Estados de Goiás e Rio Grande do Sul, visando desarticular a logística financeira de um esquema que desviou mais de R$ 330 mil de instituição de ensino superior sediada em Santa Catarina, por meio de uma rede de colaboradores que atuaram como “laranjas conscientes” em uma sofisticada fraude financeira.
A ação tem como foco 6 alvos identificados como peças centrais na recepção e dispersão dos valores subtraídos. Além das buscas, foram deferidas pela Vara Regional de Garantias da Comarca de Chapecó a quebra de sigilo telemática e bancária dos investigados, as quais proporcionaram o rastreio e a análise da rede de contas utilizadas para pulverizar os valores, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro que consiste em dividir o montante em diversas contas para dificultar o rastreamento.
O Esquema: Malware e Pulverização Financeira
A apuração conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Fronteira de Chapecó com o apoio do CyberGAECO apurou que o crime foi viabilizado pelo uso de malwares bancários de alto nível. Os criminosos capturaram credenciais de acesso de uma funcionária da instituição e, em uma operação planejada para ser quase instantânea, realizaram transferências via Pix, TED e pagamentos de boletos, totalizando um desvio de R$ 339.930,00.
Para dificultar o rastreamento, os responsáveis pelo ataque utilizaram infraestrutura internacional, incluindo VPNs com servidores na Holanda.
No entanto, a análise telemática e financeira conseguiu mapear o destino de cada parcela do montante, identificando as contas bancárias criadas especificamente para receber e movimentar o dinheiro ilícito.
“Laranjas Conscientes” e a Cegueira Deliberada
O foco principal desta fase da operação é a responsabilização rigorosa dos titulares dessas contas. A investigação sustenta que esses indivíduos não tiveram seus dados usados indevidamente, mas sim participaram ativamente do esquema. Em troca de vantagens financeiras, cederam deliberadamente suas informações para operacionalizar a fraude.
Na deflagração da operação o GAECO contou com o apoio do GAECO do Ministério Público de Goiás além do operacional nos cumprimentos das Polícias Civis do Rio Grande do Sul e de Goiás e da ROTAM (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) e Polícia Militar de Goiás.
